sexta-feira, 24 de setembro de 2010

CLL entrevista, agora com Cíntia Moscovich

Depois de Claudia Tajes responder, Cíntia adianta o que vai ser assunto no + que Prosa no dia 30!

CLL - Tu e a Claudia são muito amigas. O que a mulher feia mais conversa com a mulher gorda?
Cíntia - Huuuuuuuuum. Nós duas temos grandes debates existenciais. O nosso maior problema é saber sobre o que conversam as mulheres magras com as mulheres bonitas. O dilema acessório sempre foi saber como umas e outras, afinal, se divertem. Se é que se divertem.

CLL - Em teus textos dissabores infantis, familiares e afetivos são tratados com humor. Rir do que poderia ser trágico é a solução? É uma herança judaica?
Cíntia - Acho que sim, acho que o humor é uma herança do meu povo, que descobriu que ridicularizar situações estúpidas e rir do irremediável é a melhor maneira de estar no mundo. Agora: acho que não só os judeus riem. Acho que o sorriso entre lágrimas (que é a definição genial do humor para Freud) é uma forma de sofisticação da mente: os afetos vem à tona, a gente se torna superior sem afetação e o que poderia ser pesado e dramático fica leve. Pensando bem, a gente não é humano quando chora, mas quando ri. Qualquer idiota se leva a sério, já se deram conta?

CLL - Viver cercada de cães e gatos ajuda a escrever melhor?
Cíntia - Ah, ajuda. Ajuda a viver melhor. Estive muito doente, muuuuuuito mesmo. Graças a Deus, tive amor da família e dos amigos. Mas o amor dos bichos foi ânimo na veia: eles me ajudavam a levantar de manhã, lambiam todas as minhas lágrimas e me esperavam na porta de casa na volta das muitas sessões de tratamento. É uma qualidade de amor que nunca vi em nenhum ser humano --- e olha que eu sou muito mimada. Sem dúvida, o ambiente onde existem bichos e plantas ajuda a vida. E a escrever melhor, sim. Ainda mais que bichos e plantas não falam. É uma bênção.

CLL - O que ajuda e o que atrapalha ser casada com um escritor?
Cíntia - Comecemos pelo básico. Escritor é homem e marido que nem qualquer outro. Ajuda na hora que tenho dúvidas, que são muitas. Atrapalha na hora em que a gente tem que decidir quem vai chamar o homem pra arrumar a máquina de lavar roupa que quebrou. No mais, acho que dá no mesmo ter marido escritor ou, sei lá, contador. Eu fiz aquele casamento tipicamente romântico, me casei pelo mais puro e deslavado amor. Sempre amei muito meu marido, inclusive no tempo em que ele era bancário e eu trabalhava no comércio de nossa família. A gente era infeliz cada um de um jeito, e aprendemos a nos ajudar desde então. Nunca mais mudou.

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