terça-feira, 20 de julho de 2010

TV levada a sério


Um dos ciclos de palestras do Festival de Inverno tratará de um tema controverso, que, no Brasil, tem a força de pautar as conversas, ditar os rumos da moda e incidir sobre os comportamentos: as novelas.

Serão três manhãs (dias 28, 29 e 30 de julho) dedicadas à discussão sobre um dos maiores produtos da indústria cultural do país. Quem estará à frente dessa reflexão será a ensaísta, crítica e antropóloga Esther Hamburger¹, autora do livro O Brasil antenado: a sociedade da telenovela, resultante de tese de doutorado que defendeu na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Público heterogêneo – Esther entende que é falsa a ideia de que as emissoras transmitem aquilo que o público quer assistir. Em entrevista à SescTV², em janeiro de 2008, defendeu que essa concepção parte de um preconceito – o de que uma programação de qualidade não atrairia audiência. A autora considera importante discutir o conceito de “audiência”, já que se trata de uma categoria simbólica que supõe o receptor como uma massa uniforme, amorfa e acrítica.

Para a autora, portanto, o conteúdo da programação televisiva é determinado não pelas demandas populares, mas por quem o produz. A televisão aberta, oferecendo poucas opções – e muitas parecidas entre si –, limita a capacidade de escolha do público: “Você coloca a culpa na audiência pela falta de investimento em programas de qualidade maior, mais elaborados. Agora, as melhores coisas na TV brasileira foram feitas com risco, já que não se enquadravam no que é veiculado normalmente. Mas acho que é isso que o público espera: coragem de quem detém a capacidade de produzir de inventar coisas novas”, diz a pesquisadora.

Sem maniqueísmo – Nesse sentido, há como se pensar em uma programação desafiadora e educativa. Além disso, Esther repara que a televisão atua em paralelo às instituições de educação no processo de aprendizagem e de formação de identidade.

Por isso, antes de tratar a TV como uma vilã, seria interessante que as escolas assimilassem a abrangência dos programas e propusessem discussões: “Cabe à família e à escola julgar programas que certamente podem ser desconstruídos em sala de aula. Acho que deveria haver uma disciplina obrigatória no currículo escolar que visasse a algo como uma ‘alfabetização audiovisual’ e que incluísse teoria e prática”, defendeu, em entrevista a Diogo Dreyer, do portal Educacional³.

Esther ao vivo – No trio de palestras na Sala Álvaro Moreyra, Esther irá afundo nesse debate, tendo como objeto as telenovelas, notadamente expoentes da influência midiática no imaginário coletivo brasileiro. Compromisso inescapável para quem quer pensar a novela sem os reducionismos típicos das conversas sobre o assunto.

Os encontros ocorrerão das 11h às 12h30min dos dias 28, 29 e 30 de julho. As inscrições para todo o curso custam R$ 15 e devem ser realizadas no Centro Municipal de Cultura (Av. Erico Verissimo, 307), no subsolo da biblioteca Josué Guimarães, das 10h às 12h e das 14h às 17h.

Atualmente, Esther é colaboradora de diversos jornais e revistas, entre eles a Folha de São Paulo, e é chefe do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes da USP.


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¹ Mais sobre a autora: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4783979P3


² http://www.sesctv.com.br/revista.cfm?materia_id=9


³ http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0092.asp

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