sexta-feira, 18 de junho de 2010

Página em branco na Literatura

Aos 87 anos, José Saramago deixou inacabada sua obra literária. Nesta manha de sexta-feira (18), despediu-se da família de forma tranquila e serena após conviver durante longo tempo com a doença.
O escritor, nascido ao sul de Portugal, na aldeia de Azinhaga, passou parte de sua vida, antes de se dedicar à escrita, por vários ofícios e por intensa militância política. Seu primeiro romance, Terra do Pecado, dividiu com outros autores as prateleiras em 1947, e quase vinte anos após, lançou-se na poesia com Os Poemas Possíveis. Porém, o reconhecimento o encontrou em 1980. Levantado do Chão retrata a luta do povo diante forças opressoras como latifundiários, as forças da ordem e a Igreja. A luta obstinada e de muitos sacrifícios, feita sobre um ambiente de miséria rural. É uma fotografia do movimento antifascista no Alentejo, no qual Saramago revela as suas opções políticas.

Memorial do Convento de 82 carimbou em definitivo seu sucesso. Anos mais tarde, ao publicar O Evangelho Segundo Jesus Cristo além das críticas recebeu a censura do governo português que o obrigou a buscar o exílio nas Ilhas Canárias.

Seus livros continuam sendo referência crítica tanto pelo conteúdo quanto pela narrativa e permanecem nas listas dos mais vendidos em qualquer país do mundo.

Lançou em 2009 Caim com o qual torna a se incomodar com a Igreja. Mês passado, as livrarias acolheram a primeira biografia escrira sobre Saramago. O autor, o também português João Marques Lopes, revela, por exemplo, que nos anos 60 ele havia pensando em migrar para o Brasil. A edição chega com uma tiragem de 20 mil exemplares pela Editora LeYa.

Sua obra, que atinge em torno de 36 publicações, foi visitada por outras áreas da Cultura. Em 2008, o cineasta brasileiro Fernando Meirelles dirigiu Ensaio sobre a cegueira. Saramago esteve em Porto Alegre em várias oportunidades e permanece presente não apenas na memória dos que puderam ouvi-lo mas, em especial, dos que o guardam em suas bibliotecas particulares e públicas.

Texto de Fernando Rozano
Responsável pela Editora da Cidade - Coordenação do Livro e Literatura.

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